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Jovens · Proposta 104 · Bandeira 10

Vaga falsa, estágio irregular e trabalho de graça: como o CAU/SP protege quem está começando

Por Chapa 2 RESET · publicado em 14/10/2026 · atualizado em 14/10/2026 · leitura de 5 min
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Em resumo

A Chapa 2 RESET propõe que o CAU/SP enfrente as falsas vagas, os estágios irregulares e o trabalho não remunerado que atingem o profissional jovem. É a proposta 104 do caderno, parte da bandeira 10, "Início de carreira protegido". O Conselho não fiscaliza empregador, mas pode orientar, apurar o que for exercício irregular da profissão e encaminhar o resto a quem tem poder de agir.

Os 186 candidatos e candidatas da Chapa 2 RESET

O que a proposta diz?

Combater três práticas que viraram rotina na entrada da profissão: a vaga falsa (anúncio de "arquiteto" que na verdade é vendedor de loja, desenhista sem responsabilidade técnica ou estagiário fazendo trabalho de profissional), o estágio irregular (sem supervisão de profissional registrado, sem termo de compromisso, com carga horária de emprego) e o trabalho não remunerado ("teste", "freela em troca de portfólio", "pagamento em visibilidade").

A proposta anda junto com a 1 (Banco de Oportunidades, que terá regras mínimas para vagas), a 106 (fiscalizar uso irregular de registros e ausência de responsabilidade técnica), a 8 (canal de denúncias com sigilo) e a 103 (remuneração compatível e piso).

Por que isso importa para quem está começando?

Porque é no primeiro ano que o profissional aprende o que é "normal". Se o normal for trabalhar seis meses sem carteira para "ganhar experiência", ele leva isso como padrão. E tem um efeito em cadeia: cada vaga falsa ocupada por um estagiário fazendo serviço de arquiteto é uma vaga a menos para um profissional registrado, e um projeto a mais sem responsável técnico de verdade.

No levantamento da coordenação da chapa com a base de São Paulo, "trabalho e oportunidades" é tema para 46% dos profissionais. Não adianta divulgar vaga se a vaga for armadilha. O Conselho tem 76.163 profissionais no cadastro e nenhum canal específico para o jovem dizer "essa vaga é falsa" ou "esse estágio é emprego disfarçado".

Como funcionaria no CAU/SP?

Aqui é preciso ser preciso sobre o que a lei permite. A Lei 12.378/2010 dá ao CAU/SP a competência de fiscalizar o exercício profissional (art. 34, inciso VIII) e de orientar (art. 24, §1º). Relação de emprego e estágio são matéria trabalhista: Lei 11.788/2008 (estágio), Ministério do Trabalho, Ministério Público do Trabalho e Justiça do Trabalho. O CAU não fiscaliza empregador. Então a proposta se divide em três camadas:

  • Orientar: cartilha e módulo do programa de início de carreira (proposta 102) com os sinais de vaga falsa e de estágio irregular: o que a Lei do Estágio exige (termo de compromisso, supervisão, carga horária), o que é função de arquiteto e o que não é, e o que fazer ao ser cobrado por "teste não remunerado". Com modelo de registro das horas trabalhadas, para servir de prova depois.
  • Apurar o que é da competência do CAU: quando a vaga falsa ou o estágio irregular esconde exercício ilegal da profissão (projeto assinado por quem não tem registro, obra sem RRT, estagiário respondendo tecnicamente), aí é fiscalização do CAU/SP mesmo (inciso VIII), com apuração e, se for o caso, processo ético contra o profissional registrado que acoberta (inciso IX).
  • Encaminhar o resto: canal próprio, com sigilo (proposta 8), que recebe o relato, registra e encaminha ao MPT, ao sindicato ou ao órgão de fiscalização do trabalho, com acompanhamento. O CAU/SP pode firmar convênios para isso (inciso XIV) e representar a categoria nesses órgãos (inciso XII).
  • Fechar a porta no Banco de Oportunidades: a proposta 1 só aceita vaga que exija registro no CAU, com responsabilidade técnica definida e remuneração informada. Vaga disfarçada de estágio não entra.

Essa divisão não é tímida: é o que o art. 22 do Regulamento Eleitoral exige de uma proposta séria. O Conselho faz o que a lei manda e leva o resto a quem pode resolver, em vez de fingir um poder que não tem.

O que a gestão atual fez sobre isso?

O Relatório de Gestão Integrado 2025 do CAU/SP registra 2.658 ações de fiscalização no ano, 79% delas proativas, incluindo 325 ações na internet. O relatório não separa ações sobre vagas, estágios ou trabalho não remunerado. A plataforma da Chapa 1 para 2026 fala em "melhores condições de contratação e remuneração" (proposta 6) e não menciona estágio. Não encontramos registro público de ação específica do CAU/SP sobre falsas vagas e estágios irregulares. Se existir e não tivermos encontrado, corrigimos este artigo.

Essa é a proposta 104 da Chapa 2

Combater falsas vagas, estágios irregulares e trabalho não remunerado. Se faz sentido pra você, entre na rede da chapa e vote dia 5 de novembro.

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Perguntas que chegam sobre isso

O CAU pode multar a empresa que anuncia vaga falsa?

Não por ser vaga falsa. O CAU/SP autua o exercício ilegal da profissão (quem assina sem registro, obra sem RRT). Vaga e estágio irregular são matéria trabalhista e vão para o MPT, o sindicato ou a Justiça do Trabalho, com o encaminhamento do Conselho.

Posso denunciar sem me identificar para a empresa?

Sim. A proposta 8 cria canal de denúncias com sigilo. O CAU/SP registra, orienta e encaminha sem expor quem relatou.

Estagiário pode fazer projeto?

Pode participar, sob supervisão de profissional registrado, como parte da formação. Não pode responder tecnicamente, assinar projeto ou substituir um profissional. Quando isso acontece, é exercício irregular, e aí o CAU/SP apura.

Isso vai valer para vaga em órgão público também?

Sim. Concursos e editais com função de arquiteto sem exigência de registro ou com remuneração incompatível entram na proposta 97, de monitoramento de editais, e na representação do CAU/SP junto aos órgãos públicos.

Fontes

  • Caderno de propostas da Chapa 2 RESET (2026), propostas 104, 1, 8, 97, 102, 103 e 106.
  • Lei 12.378/2010, art. 24, §1º, e art. 34, incisos VIII (fiscalizar), IX (julgar processos disciplinares), XII (representação) e XIV (convênios).
  • Lei 11.788/2008 (Lei do Estágio).
  • CAU/SP, Relatório de Gestão Integrado 2025 (transparencia.causp.gov.br): 2.658 ações de fiscalização, 79% proativas, 325 na internet.
  • Estratificação da base da categoria em São Paulo (coordenação da chapa, 13/10/2026): trabalho e oportunidades, 46%; Colégio Eleitoral do CAU/SP 2026, 76.163 profissionais.
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Chapa 2 RESETReconstrução, Escuta, Suporte, Equidade, Transparência. Eleições CAU/SP 2026. Responsável: Eder Roberto da Silva. Dúvidas: juridicochapareset@gmail.com

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