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Autônomos · Proposta 82 · Bandeira 05

Honorários: por que a Chapa 2 não promete tabela e o que o CAU/SP pode fazer de verdade

Por Chapa 2 RESET · publicado em 14/10/2026 · atualizado em 14/10/2026 · leitura de 5 min
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Em resumo

A proposta 82 da Chapa 2 RESET trata de referências para honorários e preços. Ela faz parte da bandeira 05, Honorários justos, junto com as propostas 2 e 64. Este artigo explica sem rodeio o que o CAU/SP pode e o que não pode fazer nesse tema: tabela de honorários é competência do CAU/BR e está sob recomendação do CADE. O que cabe ao Conselho paulista é orientar, publicar um referencial de custos de escritório, oferecer a calculadora da proposta 64 e levar ao CAU/BR a discussão nacional.

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O que a proposta diz?

No caderno, a proposta 82 está escrita assim: "Referências para honorários e preços, com tabela indicativa". A chapa assume aqui um compromisso de clareza com quem vota: a expressão "tabela indicativa" não pode ser lida como promessa de tabela de preços publicada pelo CAU/SP. A leitura correta, alinhada à lei e validada pela coordenação da chapa, é esta: o CAU/SP vai oferecer referências de composição de custos de um escritório, orientação sobre precificação, contrato e escopo, e vai levar ao CAU/BR a discussão sobre a referência nacional.

O motivo está em dois lugares. Primeiro, na Lei 12.378/2010: o art. 28, inciso XIV, diz que compete ao CAU/BR "aprovar e divulgar tabelas indicativas de honorários". Não é atribuição do CAU/SP. Segundo, no CADE: em 16/10/2024 o CAU/BR publicou uma nota de esclarecimento sobre recomendação da Superintendência-Geral do CADE, dirigida a todos os conselhos federais e ordens, apontando possível conduta anticompetitiva no uso de tabelas de honorários. Depois disso, promover tabela de preço virou risco jurídico real para qualquer conselho profissional.

A proposta 82 conversa com a 2 (honorários justos, com orientação sobre contratos, escopos e direitos autorais) e com a 64 (calculadora digital orientativa de custos de escritório e honorários). As três formam a bandeira 05 da chapa.

Por que isso importa para quem vive de projeto?

Porque o arquiteto autônomo e o pequeno escritório vivem o mesmo dilema todo dia: quanto cobrar? Quem começa costuma cobrar pouco por não saber quanto custa a própria hora. Quem já tem anos de estrada perde cliente para orçamento que não cobre nem o custo fixo. No levantamento feito pela coordenação da chapa com a base de profissionais de São Paulo, "benefícios ao profissional" aparece para 51% dos arquitetos e urbanistas e "trabalho e oportunidades", para 46%. Honorário é o ponto de encontro dos dois temas.

Mas é preciso ser honesto sobre a ferramenta. Tabela de preço não resolve o problema e ainda expõe o Conselho e a categoria. O que resolve é o profissional saber calcular o próprio custo: aluguel, software, impostos, pró-labore, horas improdutivas, reserva para férias e para o mês sem cliente. Com esse número na mão, ele negocia com segurança e reconhece na hora quando um orçamento é inviável. Esse é o caminho que o CADE não questiona: orientação e método, não preço combinado.

Como funcionaria no CAU/SP?

  • Fase 1, orientação: material do CAU/SP sobre composição de custos de escritório, escopo por etapa de projeto, contrato escrito e direitos autorais. Base legal: art. 24, §1º (orientar o exercício da profissão) e art. 34, VII (registro de direitos autorais). Ligada à proposta 80 (capacitação em gestão e honorários) e à 102 (programa de início de carreira).
  • Fase 2, referencial de custos: publicação periódica de um referencial de custos de escritório por porte e região do estado, construído com dados informados voluntariamente pelos profissionais. Sem valor de venda, sem preço mínimo, sem sugestão de honorário por serviço. É um retrato de custo, não uma tabela.
  • Fase 3, calculadora (proposta 64): ferramenta digital em que cada profissional insere os próprios custos e obtém a sua hora técnica e o seu ponto de equilíbrio. O resultado é individual e privado. O CAU/SP não publica, não recomenda e não compara valores.
  • Fase 4, CAU/BR: com base no art. 34, XI (sugerir ao CAU/BR medidas de interesse da profissão), o CAU/SP leva ao Conselho federal a discussão sobre como tratar referências nacionais de honorários dentro do que o CADE admite.

O que a chapa não vai fazer, em nenhuma fase: publicar tabela, fixar piso de preço, "combater preço baixo" ou punir profissional pelo valor que cobra. Isso seria ilegal e colocaria o Conselho e os profissionais em risco de processo por conduta anticompetitiva.

O que a gestão atual fez sobre isso?

A nota de esclarecimento sobre a recomendação do CADE é do CAU/BR, publicada em 16/10/2024. No CAU/SP, não encontramos registro público de um referencial de custos de escritório nem de calculadora própria publicada. A plataforma da chapa da situação para 2026 fala em "ferramentas e referências para organização, precificação, contratos, finanças, marketing e relações profissionais", sem descrever o instrumento. Em 2023, a mesma chapa prometeu "manuais de escopo, contrato e precificação"; não localizamos o material publicado. Se existir e não tivermos encontrado, corrigimos este artigo.

Essa é a proposta 82 da Chapa 2

Referências para honorários e preços, com tabela indicativa. Se faz sentido pra você, entre na rede da chapa e vote dia 5 de novembro.

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Perguntas que chegam sobre isso

O CAU/SP pode publicar tabela de honorários?

Não. Tabela é competência do CAU/BR (Lei 12.378/2010, art. 28, XIV), e o próprio CAU/BR está sob recomendação do CADE desde 2024. O CAU/SP pode orientar, publicar referencial de custos de escritório e propor ao CAU/BR.

Então a proposta 82 não vale nada?

Vale, no formato certo: método de precificação, referencial de custos de escritório e calculadora individual. É o que de fato muda a negociação do profissional, sem risco jurídico para ninguém.

Referencial de custos não é tabela disfarçada?

Não, desde que mostre custo e não preço: nunca sugere valor de serviço, nunca aponta mínimo e nunca é usado como parâmetro em processo ético-disciplinar.

Em quanto tempo sai a calculadora?

A proposta 64 pode ser feita com estrutura própria do CAU/SP. Meta a definir com a coordenação: primeiro ano de gestão, começando pela orientação em texto, que não depende de sistema.

Fontes

  • Caderno de propostas da Chapa 2 RESET (2026), propostas 82, 2 e 64 (bandeira 05).
  • Lei 12.378/2010, art. 28, XIV (tabelas indicativas de honorários: CAU/BR); art. 24, §1º; art. 34, VII e XI.
  • Nota de Esclarecimento do CAU/BR sobre a recomendação da Superintendência-Geral do CADE, 16/10/2024 (caubr.gov.br/nota-de-esclarecimento-do-cau-br/).
  • Estratificação da base da categoria em São Paulo (coordenação da chapa, 13/10/2026): benefícios ao profissional, 51%; trabalho e oportunidades, 46%.
  • Plataforma da chapa da situação: 2026 (eixo 1, proposta 2) e 2023 (proposta 11, cópia do site de 26/04/2024 na Wayback Machine).
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Chapa 2 RESETReconstrução, Escuta, Suporte, Equidade, Transparência. Eleições CAU/SP 2026. Responsável: Eder Roberto da Silva. Dúvidas: juridicochapareset@gmail.com

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