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Ambiente e cidade · Proposta 21

Eficiência energética e descarbonização: como virar isso em trabalho para o arquiteto

Por Chapa 2 RESET · publicado em 14/10/2026 · atualizado em 14/10/2026 · leitura de 5 min
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Em resumo

A Chapa 2 RESET propõe que o CAU/SP trate eficiência energética e descarbonização como pauta de orientação técnica e de mercado: referência para projetar edificação que gasta menos energia, para reformar o que já existe (retrofit) e para medir o carbono do que se especifica, e defesa de que esse trabalho seja de arquiteto e urbanista registrado. É a proposta número 21 do caderno, no eixo de responsabilidade ambiental e social.

Os 186 candidatos e candidatas da Chapa 2 RESET

O que a proposta diz?

Que o CAU/SP dê ao profissional o que ele precisa para projetar com menos energia e menos carbono, e que faça disso campo de trabalho. A proposta 21 fala de duas coisas ligadas: eficiência energética, que é a edificação gastar menos para ficar confortável (orientação solar, ventilação, sombreamento, envoltória, iluminação natural, sistemas eficientes), e descarbonização, que é reduzir a emissão de carbono do projeto, da obra e do material. Para o arquiteto, isso se traduz em três frentes: projeto novo mais eficiente, reforma e retrofit do que já está construído, e especificação de material com menor pegada de carbono (que é o tema da proposta 22).

Ela faz parte do eixo 4 do caderno, com a 20 (adaptação às mudanças climáticas), a 22 (especificação ambientalmente responsável, ciclo de vida e declaração ambiental de produto) e a 23 (justiça territorial e habitação social). Conversa com a 59 (referências técnicas de desempenho ambiental e energético para interiores) e a 57 (capacitação permanente, inclusive em retrofit).

Por que isso importa para quem trabalha com arquitetura?

Porque o mercado já está pedindo e o profissional ainda não tem referência para entregar. O cliente comercial quer reduzir a conta de energia. O condomínio quer reforma que valorize o imóvel. A incorporadora precisa atender a exigência de desempenho da norma e, cada vez mais, de certificação. O órgão público começa a pedir eficiência em edital. Quem souber projetar e comprovar eficiência energética tem argumento de venda que o concorrente sem registro não tem, porque isso exige cálculo, norma e responsabilidade técnica.

Retrofit é a parte mais importante para a maioria da categoria. A maior parte do que vai existir em 2050 já está construída. Reformar o que existe para gastar menos energia, aproveitar melhor luz e vento e trocar sistema é trabalho de projeto, e é trabalho de escritório pequeno, no bairro, na cidade do interior, não só de grande obra na capital. É aí que a proposta 21 encontra o profissional que paga anuidade e pergunta o que recebe em troca.

Orientar o exercício da profissão e pugnar pelo seu aperfeiçoamento está no art. 24, parágrafo 1º, da Lei 12.378/2010. Representar a categoria nos espaços públicos em que se decide norma e exigência de eficiência está no art. 34, inciso XII.

Como funcionaria no CAU/SP?

  • Fase 1, referência técnica: um caderno de eficiência energética e descarbonização para projeto, feito com universidades e profissionais, em linguagem de escritório: estratégias passivas por região do estado, como atender a norma de desempenho, como estimar consumo e carbono, e como apresentar isso ao cliente como valor. Gratuito, no site do CAU/SP, ligado à proposta 59.
  • Fase 2, retrofit como trilha própria: capacitação específica em reforma e retrofit energético (proposta 57), com casos reais de residência, comércio e condomínio, nos 10 escritórios regionais e online.
  • Fase 3, especificação: orientação sobre ciclo de vida e declaração ambiental de produto (proposta 22), para que a escolha de material tenha base técnica e não dependa do catálogo do fornecedor. Ligada à regra clara sobre relações comerciais (proposta 5).
  • Fase 4, representação: cadeira do CAU/SP nos espaços que definem exigência de eficiência em obra pública e em legislação estadual e municipal (art. 34, inciso XII), defendendo que o projeto seja de profissional registrado (proposta 100). Convênios com órgãos e universidades pelo inciso XIV, com custeio próprio.
  • Fase 5, medição: profissionais capacitados, referências publicadas e espaços ocupados, com relatório semestral (proposta 35).

Tudo isso é competência do CAU/SP. Não depende de resolução do CAU/BR.

O que a gestão atual fez sobre isso?

O CAU/SP participou da COP30 em Belém, em novembro de 2025, com uma "Casa da Arquitetura e Urbanismo" durante 12 dias e mais de 100 atividades, com R$ 850 mil executados de R$ 1,25 milhão previstos, segundo os documentos orçamentários do Conselho. Firmou acordo com o Ministério do Meio Ambiente, registrado nos relatórios de gestão. A plataforma da Chapa 1 para 2026 prevê "fortalecer capacidades para decisões sobre materiais, recursos, desempenho, energia, água, conforto, resíduos e emissões" e "valorizar reforma, retrofit, reabilitação, conservação e manutenção" (eixo 3, propostas 26 e 29). Não encontramos registro público de caderno de referência de eficiência energética para projeto nem de capacitação em retrofit publicados pelo CAU/SP até outubro de 2026. Se existir e não tivermos encontrado, corrigimos este artigo.

Essa é a proposta 21 da Chapa 2

Eficiência energética e descarbonização. Se faz sentido pra você, entre na rede da chapa e vote dia 5 de novembro.

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Perguntas que chegam sobre isso

O CAU/SP vai exigir eficiência energética nos projetos?

Não. Exigência vem de norma e de lei, não do Conselho. A proposta prepara o profissional para atender ao que o mercado e a legislação já pedem, e defende que esse trabalho seja de arquiteto registrado.

Sou de interiores. Isso me alcança?

Diretamente: iluminação, conforto térmico, escolha de material e retrofit de unidade são decisões de interiores. A proposta 59 trata das referências específicas para esse campo.

Isso depende do CAU/BR?

Não. Orientação, capacitação, convênio e representação são competências do CAU/SP (Lei 12.378/2010, art. 24, parágrafo 1º, e art. 34, XII e XIV).

Quanto custa?

O caderno de referência e as oficinas usam a estrutura e as parcerias do Conselho, com custeio próprio e prestação de contas. A proposta prevê publicar o custo de cada ação.

Fontes

  • Caderno de propostas da Chapa 2 RESET (2026), propostas 21, 20, 22, 23, 5, 57, 59 e 100.
  • Lei 12.378/2010, art. 24, parágrafo 1º, e art. 34, incisos XII e XIV, e parágrafo 1º.
  • Planos de Ação e Orçamento e Relatórios de Gestão do CAU/SP: COP30 (R$ 850 mil executados de R$ 1,25 milhão) e acordos de cooperação, inclusive com o Ministério do Meio Ambiente (transparencia.causp.gov.br).
  • Plataforma eleitoral da Chapa 1 (2026), eixo 3, propostas 26 e 29.
  • ABNT NBR 15575 (desempenho de edificações habitacionais), referência de norma citada no artigo.
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Chapa 2 RESETReconstrução, Escuta, Suporte, Equidade, Transparência. Eleições CAU/SP 2026. Responsável: Eder Roberto da Silva. Dúvidas: juridicochapareset@gmail.com

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