A Chapa 2 RESET propõe que o CAU/SP garanta protagonismo aos arquitetos e urbanistas na transformação digital: nas aprovações de projeto online das prefeituras, nas plataformas de dados urbanos, nos padrões de projeto digital e nas decisões sobre tecnologia que afetam a profissão. É a proposta número 12 do caderno. Se o arquiteto não estiver na mesa, a regra do sistema é escrita por quem nunca projetou.
Que o arquiteto e urbanista deixe de ser usuário passivo da transformação digital e passe a ter voz em como ela é desenhada. Hoje a cidade está sendo digitalizada: aprovação de projeto por sistema, alvará autodeclaratório, cadastro territorial georreferenciado, modelo digital da cidade, licitação eletrônica, projeto em BIM exigido por órgão público. Cada uma dessas decisões define como o profissional vai trabalhar nos próximos anos. A proposta 12 quer o CAU/SP representando a categoria nesses espaços, com posição técnica e antecedência.
Ela se liga à 11 (capacitação em IA), à 15 (integração de BIM, modelagem paramétrica e automação), à 16 (acesso a softwares e dados por parcerias), à 93 (respeito à legislação urbanística, inclusive na aprovação autodeclaratória) e à 72 (cooperação técnica com prefeituras e universidades).
Porque quando o sistema de aprovação de uma prefeitura é desenhado sem o arquiteto, o resultado é formulário que não cabe o projeto, exigência de arquivo que ninguém usa e etapa que dobra o prazo. Quando um órgão público adota BIM por decreto sem ouvir quem projeta, o escritório pequeno do interior fica de fora da licitação por não ter o software certo. Quando a aprovação vira autodeclaratória sem critério técnico, quem assina carrega todo o risco e a cidade perde o controle urbanístico.
Em todos esses casos a decisão já foi tomada quando o profissional descobre. O papel do Conselho é chegar antes. A Lei 12.378/2010 dá ao CAU/SP a competência de representar os arquitetos e urbanistas em colegiados de órgãos públicos estaduais e municipais e em entidades não governamentais (art. 34, inciso XII). É exatamente a cadeira que a proposta 12 quer ocupar, com pauta técnica e relatório público do que foi defendido.
Tem um lado de oportunidade também. A cidade digital precisa de quem entenda de cidade: cadastro, zoneamento, patrimônio, mobilidade, habitação. Esse é o conhecimento do arquiteto e urbanista. Se a categoria ocupar esse espaço, abre campo de trabalho novo em prefeituras, empresas de tecnologia urbana e consultorias. Se não ocupar, o espaço será de outras profissões.
Representar, criar colegiado e firmar convênio é competência do CAU/SP. Onde a decisão for nacional, como padrões do sistema do CAU, o Conselho propõe ao CAU/BR (inciso XI).
O CAU/SP recebeu, em 2024, prêmio na Conferência Nacional dos Conselhos Profissionais na categoria de transformação digital, segundo notícia do Conselho. Em outubro de 2024 criou a Câmara Temática de Inteligência Artificial, com primeira reunião em 19/11/2024. A plataforma da Chapa 1 para 2026 fala em "transformar digitalmente o CAU/SP" e em "apoiar a incorporação de IA, BIM, automação" (eixo 2). Não encontramos registro público de representação formal do CAU/SP em comitês de aprovação eletrônica de projetos ou de padrões digitais de órgãos públicos. Se existir e não tivermos encontrado, corrigimos este artigo.
Protagonismo dos arquitetos na transformação digital. Se faz sentido pra você, entre na rede da chapa e vote dia 5 de novembro.
Exigir, não. Representar a categoria, apresentar posição técnica e oferecer cooperação, sim (Lei 12.378/2010, art. 34, XII e XIV). A proposta é ocupar a mesa com antecedência, não impor.
Não. A 11 prepara o profissional para usar a tecnologia. A 12 garante que a tecnologia que os órgãos adotam seja desenhada com o profissional. Uma sem a outra fica pela metade.
É o maior beneficiado. A posição do CAU/SP tem de garantir que padrão digital, BIM em licitação e aprovação online não excluam quem não tem estrutura grande.
Pelo relatório semestral que a proposta prevê, com cada espaço ocupado, a posição levada e o resultado.
