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Trabalho e oportunidades · Proposta 2

Honorários justos sem tabela: como o CAU/SP pode orientar contrato, escopo e direitos autorais

Por Chapa 2 RESET · publicado em 14/10/2026 · atualizado em 14/10/2026 · leitura de 4 min
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Em resumo

A Chapa 2 RESET propõe que o CAU/SP ajude o arquiteto a cobrar de forma justa pelo trabalho: orientação clara sobre contrato, escopo de serviço, composição de custos e direitos autorais. É a proposta número 2 do caderno e abre a bandeira 05, Honorários justos. Ela não promete tabela nem preço mínimo, porque isso o CAU/SP não pode fazer; promete o que o Conselho pode: orientar, registrar e levar a discussão ao CAU/BR.

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O que a proposta diz?

Que o CAU/SP assuma o papel de orientar o profissional sobre a parte do trabalho que ninguém ensina na faculdade: como montar um contrato, como definir o escopo de cada etapa, como calcular o custo real de um projeto e como proteger a autoria. A proposta 2 fala em honorários justos e aponta o caminho para chegar lá: informação, modelo de contrato e referência de custos, não preço fixado pelo Conselho.

Ela anda junto com outras duas do caderno: a 64, que cria uma calculadora digital orientativa de custos de escritório, e a 82, que trata de referências para a composição de custos e precificação. As três formam a bandeira 05 da chapa.

Por que o CAU/SP não pode simplesmente publicar uma tabela?

Porque a lei e a autoridade da concorrência dizem que não. A Lei 12.378/2010, no art. 28, inciso XIV, dá ao CAU/BR, e não ao CAU/SP, a competência de aprovar e divulgar tabelas indicativas de honorários. E em 16/10/2024 o CAU/BR publicou uma nota de esclarecimento sobre uma recomendação da Superintendência-Geral do CADE, dirigida a todos os conselhos e ordens profissionais, a respeito do uso de tabelas de honorários como possível conduta anticompetitiva.

Traduzindo: conselho profissional que fixa preço, ou que combate quem cobra abaixo de um valor, corre risco de processo e multa. Por isso a chapa escolheu dizer com todas as letras o que vai fazer e o que não vai. Prometer tabela seria prometer algo que não dá para entregar.

O problema continua existindo. O arquiteto do interior que fecha um projeto residencial sem contrato escrito, sem escopo definido e sem calcular hora técnica, impostos e software, termina o trabalho no prejuízo e ainda perde a autoria do projeto. No levantamento feito pela coordenação da chapa com a base de São Paulo, os temas "benefícios ao profissional" (51%) e "trabalho e oportunidades" (46%) lideram as preocupações. Honorário faz parte dos dois.

Como funcionaria no CAU/SP?

  • Fase 1, orientação escrita: cartilha e modelos de contrato por tipo de serviço (projeto residencial, interiores, reforma, consultoria, laudo), com escopo por etapa, cláusulas de pagamento, reajuste, visitas e entrega. Material gratuito no site do CAU/SP, com linguagem simples. Base legal: art. 24, parágrafo 1º, da Lei 12.378/2010, que manda o Conselho orientar o exercício da profissão.
  • Fase 2, composição de custos: a calculadora da proposta 64, que mostra quanto custa manter o escritório aberto (hora técnica, encargos, software, deslocamento, tributos) para que cada profissional chegue ao seu próprio preço. É referência de custo, não tabela de preço.
  • Fase 3, direitos autorais: uso do registro de direitos autorais que a lei já atribui ao CAU/SP (art. 34, inciso VII), com orientação sobre cessão, uso de imagem do projeto e o que fazer quando o cliente altera o projeto sem o autor.
  • Fase 4, CAU/BR: o CAU/SP leva ao CAU/BR, pelo art. 34, inciso XI, a discussão sobre uma referência nacional de honorários compatível com a orientação do CADE.

As três primeiras fases dependem só do CAU/SP. A quarta é proposta ao CAU/BR, e a chapa diz isso sem rodeio. Honorário digno continua sendo princípio ético da profissão, e defender esse princípio é papel do Conselho. O que muda é o instrumento: em vez de número imposto, informação para que cada profissional saiba calcular, apresentar e negociar o seu.

O que a gestão atual fez sobre isso?

Em 2023, a plataforma da chapa que hoje governa o CAU/SP prometeu "manuais de escopo, contrato e precificação" (proposta 11 daquele programa). A plataforma de 2026 fala em "ferramentas e referências para organização, precificação, contratos, finanças". Não encontramos registro público de manual de contrato, escopo ou precificação publicado pelo CAU/SP entre 2024 e outubro de 2026. Se existir e não tivermos encontrado, corrigimos este artigo. No plano nacional, o fato documentado é a nota do CAU/BR de 16/10/2024 sobre a recomendação do CADE.

Essa é a proposta 2 da Chapa 2

Honorários justos, com orientação sobre contratos, escopos e direitos autorais. Se faz sentido pra você, entre na rede da chapa e vote dia 5 de novembro.

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Perguntas que chegam sobre isso

Então a Chapa 2 não vai criar tabela de honorários?

Não. Tabela é competência do CAU/BR (Lei 12.378/2010, art. 28, XIV) e está sob recomendação do CADE. A chapa oferece o que o CAU/SP pode entregar: orientação de contrato e escopo, referência de custos de escritório e registro de direitos autorais.

O CAU vai fiscalizar quem cobra barato?

Não pode. Conselho que combate preço é exatamente a conduta que o CADE persegue. O que o CAU/SP fiscaliza é o exercício irregular: quem atua sem registro ou sem responsabilidade técnica.

Isso custa alguma coisa para o profissional?

O material de orientação e a calculadora são serviços do Conselho, bancados pela anuidade que já se paga. A proposta é devolver em serviço o que a categoria sustenta.

Em quanto tempo sai?

A cartilha e os modelos de contrato não dependem de sistema novo. Meta a definir com a coordenação: primeiros seis meses de gestão.

Fontes

  • Caderno de propostas da Chapa 2 RESET (2026), propostas 2, 64 e 82.
  • Lei 12.378/2010, art. 24, parágrafo 1º (orientar o exercício da profissão), art. 28, inciso XIV (tabelas indicativas de honorários são do CAU/BR) e art. 34, incisos VII e XI.
  • Nota de Esclarecimento do CAU/BR, 16/10/2024, sobre a recomendação da Superintendência-Geral do CADE a respeito de tabelas de honorários (caubr.gov.br).
  • Plataforma da chapa eleita em 2023 (cópia de 26/04/2024 no Wayback Machine), proposta 11; Plataforma eleitoral da Chapa 1 (2026), eixo 1, proposta 2.
  • Estratificação da base da categoria em São Paulo (coordenação da chapa, 13/10/2026): benefícios ao profissional, 51%; trabalho e oportunidades, 46%.
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Chapa 2 RESETReconstrução, Escuta, Suporte, Equidade, Transparência. Eleições CAU/SP 2026. Responsável: Eder Roberto da Silva. Dúvidas: juridicochapareset@gmail.com

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