A Chapa 2 RESET propõe uma calculadora digital orientativa, mantida pelo CAU/SP, em que o arquiteto insere seus próprios custos (aluguel, software, impostos, horas) e descobre quanto custa a sua hora de trabalho. É a proposta 64 do caderno e integra a bandeira 05, "Honorários justos". A ferramenta orienta a conta de cada um; não sugere valor nem substitui a negociação com o cliente.
Criar uma calculadora digital orientativa de custos de escritório e honorários, disponível para todo profissional registrado no CAU/SP. É a proposta 64 do caderno e faz parte da bandeira 05, "Honorários justos", com as propostas 2 e 82.
O que a calculadora faz: o profissional informa os custos dele (espaço, software, equipamento, impostos, previdência, horas produtivas por mês) e a ferramenta devolve quanto custa uma hora do seu trabalho e quanto um projeto precisa cobrir para não dar prejuízo. O que ela não faz: não sugere preço, não publica valor de referência, não diz quanto cobrar. Cada profissional vê a própria conta, com os próprios números.
Essa distinção não é detalhe. É o limite legal. Aprovar e divulgar tabelas de honorários é competência do CAU/BR (Lei 12.378/2010, art. 28, inciso XIV), e em 16 de outubro de 2024 o próprio CAU/BR publicou nota sobre recomendação da Superintendência-Geral do CADE a respeito do uso de tabelas por conselhos profissionais. Por isso a proposta fala em custos, contrato e escopo, não em preço. A ferramenta é de orientação, como manda o art. 24, parágrafo 1º, da lei.
Porque a maioria dos profissionais nunca fez a própria conta. A formação em arquitetura ensina projeto, não gestão. O resultado é conhecido: o profissional fecha um trabalho olhando para o valor que o cliente aceita, e não para o que o escritório gasta para entregar. No fim do mês, o projeto ficou pronto e o caixa ficou vazio.
No levantamento feito pela coordenação da chapa com a base paulista, "benefícios ao profissional" alcança 51% dos arquitetos e urbanistas e "trabalho e oportunidades", 46%. Saber quanto custa trabalhar é o primeiro passo para negociar melhor. Não é o Conselho dizendo o preço; é o Conselho dando a régua para o profissional medir a si mesmo.
Esse raciocínio vale para o autônomo que trabalha em casa e para o escritório com equipe. Os custos são diferentes, a lógica é a mesma: nenhum trabalho deveria ser aceito sem o profissional saber quanto ele consome de hora, de estrutura e de imposto.
Também é uma ferramenta de proteção. Quem sabe o próprio custo reconhece quando uma proposta de trabalho não fecha a conta e consegue explicar isso ao cliente com escopo e números, em vez de aceitar por insegurança.
Tudo isso é orientação, dentro do que o CAU/SP pode fazer com recursos próprios. Não cria norma, não fixa valor e não depende de aprovação do CAU/BR para sair.
O CAU/SP anunciou em 11 de junho de 2025 um Projeto de Mentoria e Apoio Profissional. Não encontramos registro público de calculadora de custos ou de ferramenta de apoio à formação de honorários mantida pelo CAU/SP. A plataforma da chapa da situação propõe "ferramentas e referências para organização, precificação, contratos, finanças, marketing e relações profissionais", sem descrever o serviço. Se existir registro e não tivermos encontrado, corrigimos este artigo.
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Pode, porque a ferramenta não publica nenhum valor. Ela só organiza os custos que o próprio profissional informa. Tabela de honorários é competência do CAU/BR (art. 28, inciso XIV) e está sob recomendação do CADE; a proposta respeita esses dois limites.
Não. Ela mostra quanto custa a sua hora e quanto um projeto precisa cobrir. Quanto cobrar continua sendo decisão sua, negociada com o cliente a partir de escopo e contrato.
A primeira versão é uma planilha pública com guia, feita pela equipe do próprio CAU/SP. A versão digital entra depois, dentro da área do profissional, sem sistema novo.
Não, e a proposta não promete isso. A revisão das referências nacionais é discussão do CAU/BR e da legislação de concorrência. O CAU/SP pode propor e acompanhar (art. 34, inciso XI).
